Crítica ao Tribunal | Jesus, Juri e Justiça
Lá estava Jesus à frente do tribunal para ser julgado, sem investigação e sem oportunidade de defesa. Diante do interrogatório e de testemunhas contraditórias o salvador do mundo se calou. O silêncio naquela ocasião não significava indiferença, pelo contrário, presumia culpa, condenação e pena.
Pôncio Pilatos, a autoridade responsável pelo julgamento se omitiu na ocasião, entregou a vida de Cristo ao povo, afinal, era a voz de Deus. Libertaram o ladrão e assassino Barrabás para dar uma morte lenta e sangrenta ao carpinteiro que multiplicava pães.
“Estou inocente do sangue deste justo: considerai isso” Pilatos – Após lavar as mãos numa bacia à sua frente.
Pobre Jesus! Se o seu julgamento tivesse ocorrido de forma decente com toda certeza hoje estaria em uma posição privilegiada, poderia ser um exímio ilusionista, médico milagreiro ou ainda um executivo bem sucedido na indústria de pães e peixes.
Ao que tudo indica evoluímos, certo? Errado! O hábito de lavar as mãos diante dos crimes mais graves permaneceu. Os assassinatos e homicídios não são julgados em verdade pela Justiça, mas pelos cidadãos comuns. Neste caso, o Estado apenas atua como fiscal de todo julgamento, quem define se foi crime e quem o cometeu é o povo.
Conforme um estudo realizado na Grã-Bretanha e divulgado nesta quinta-feira, os réus considerados feios têm desvantagem na hora do julgamento. "Talvez a Justiça não seja tão cega assim", disse Sandie Taylor, da Universidade de Bath, uma das autoras do estudo, em entrevista à rede britânica BBC. (Fonte)
O julgamento do Tribunal do Júri é definido pelo convencimento, ou seja, basta convencer para condenar ou inocentar o acusado. As teses de defesa e porque não dizer de acusação também podem variar do sensato ao mais absurdo. Em outras palavras, vale tudo, só não vale ...
Outro problema crônico do tribunal do júri é a emoção. Quando a sociedade ou mídia passam a atuar, a tendência dos jurados é decidir sob o sentimento de vingança. Nestas circunstâncias, coitado daquele que é julgado, pois não só pagará pelo seu crime, mas por toda criminalidade não punida.
"Não pode haver couraça mais forte do que um coração limpo. Está três vezes mais armado quem defende a causa justa, ao passo que está nu, ainda que de aço revestido, o indivíduo de consciência manchada por ciúmes e injustiças." (William Shakespeare, Henrique VI – 2.ª parte, Ato III, Cena II)
Não há como exigir do povo que julgue de forma decente, estão ali na maioria das vezes pela primeira vez, sem preparação alguma e sem nenhum conhecimento técnico. A tendência natural é que sejam induzidos por promotores e advogados. Não raras vezes, condenam o acusado com meros indícios, ou ainda são convencidos da inocência do réu não obstante às provas claras e evidentes do crime.
Por estas e por outras que o tribunal do júri é considerado um circo, de palhaços...
Sugestão: Sente e aguarde pela próxima Constituição.
Música do Artigo - And Justice For All - Metallica
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Grande Hugo Meira, mais uma vez com um texto esplêndido!
Não há dúvida de que a sociedade mudou em algumas áreas, mas continua primitiva em outras. Saber que a justiça é feita de acordo com a vontadade das massas é algo que pertuba. Estamos ficando desamparados. Os inocentes vivem presos, enquanto os bandidos tem liberdade e regalias. Fugindo um pouco da sua linha de raciocínio, a mídia tenta pintar a prisão na mente das pessoas. Cria um quadro mental de horror, terror, desolação, falta de espaço. Mas se pararmos para pensar os presos vivem melhor que nós...
Hugo, grande texto, desculpe pelo comentário meio extenso. Não esqueça: "Criticar é preciso!"
Os críticos enxergam as coisas de uma maneira diferente do mundo, por isso não podem ficar calados!
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